O Colosso da Marússia

Blog de Stefano Maglovsky [stemamo]
 

Designer, ilustrador, músico – compositor, vocalista e tecladista da banda Enjoylive. Apaixonado por música, arte, HQ, filmes, design, futebol, cerveja e motocicletas.

Olha só que coisa. No post abaixo, falo que sou um viciado em video-games, principalmente no PES, simulador de futebol. Isto porquê não podia mais jogar bola de verdade. Mas depois de aumentar bem meu peso e virar um verdadeiro sedentário, cansei dessa vida. Parei de fumar de novo e, que se dane o tornozelo podre! Já faz mais de um mês que voltei a ser um peladeiro.

É bem verdade que no primeiro jogo da volta, com medo de me machucar, barrigudo e totalmente fora de forma, a atuação foi patética. Deu até pra fazer dois gols, mas só. Marcar o adversário? Que isso! Sem chance alguma. Depois de um mês as coisas melhoraram bem. Emagreci, sou escolhido logo para o primeiro time e convidado para outras peladas, o que mostra que a atuação no campo não estão tão ruim assim.

A verdade é que ninguém nunca acredita que eu jogo bola. E até sei jogar direito. Não sei se pelo esteriótipo, publicitário/designer/múisico/despenteado/brinco/tatuado, faz os outros pensarem isso mas eu jogo, e dá para o gasto!

O que me levou a escrever este post não foi meu desempenho nas últimas peladas. Um fato curioso, hoje, na pelada, me fez querer escrever o post. Enquanto aguardava a primeira pelada, que é ao meio dia, no sol do nordeste de Belo Horizonte, sentado no banco, alguns garotos bem jovens, da pelada anterior, de no máximo 14 anos comentavam: ― Olha só a pelada dos caras, todo mundo parado, de vez em quando um faz um giro e chuta pro gol. Pois é, dizia um outro de cabelos encaracolados, eu não quero ser peladeiro assim quando ficar velho! Olha esse cara parado aqui no gol porquê não aguenta correr. Ae outro disse: ― Como assim? não vai querer jogar bola quando for velho? (isso porque eu tenho 30 anos hein!) e logo o outro responde: ― Sim, vou querer jogar sim, mas vou querer ser o cara que destrói na pelada, não esses barrigudos que não jogam nada!

Brincadeira! Você parado há mais de 2 anos por estar machucado, com apenas 30 anos, num sol de lascar, tentando jogar e ainda têm que ouvir um negócio desses? Mas levei na boa. Quero ver quando esses fedelhos descobrirem as coisas boas da vida, cervejas importadas, um cigarrinho ― sei que faz mal mas é bom e todo mundo acaba experimentando ― noites na balada, a mulherada etc. Isso pra falar da parte boa. Quero ver mesmo é esses moleques trabalharem a semana toda, casar, comprar casa, reformar, tentar montar empresa, fazer compras no supermercado (uma das coisas mais chatas do mundo), guardar as compras (segunda coisa mais chata do mundo), ter que ser síndico do seu prédio, aguentar vizinho mala, ir na festa da empresa da sua mulher na sexta a noite e, acordar sábado num sol de rachar, pra jogar a pelada! Aí que eu quero ver aquele pirralhinho, que só se preocupa em passar de ano, comer passatempo e jogar vídeo-game, tirar onda de peladeiro que corre pra caramba!

Isso me lembrou uma vez, quando pedalava para a Serra Velha, no Riacho Grande, em São Bernardo do Campo, no ano de 1999. Com meu primo Dagô, comentávamos que nunca seríamos sedentários, que sempre iríamos pedalar, ter uma vida saudável e se cuidar. Não que a gente, ou eu, não queria realmente isso. Mas a vida toma rumos bem diferentes do que pensamos ou tentamos planejar. Por isso eu não planejo muito. O bom é que dá tempo de tentar um monte de coisas. Senão, não daria nem pra escrever no blog!

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